Uma doença que cresce a cada dia. Fique atento, ela é silenciosa!

Por: Nábila Nogueira – Nutricionista

 

A Associação Brasileira de Nutrologia e a Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral diz que, o diabetes mellitus (DM) é uma doença metabólica que cursa com aumento dos valores de glicemia plasmática devido à ausência, deficiência e/ou resistência à ação do hormônio sintetizado pelas células beta-pancreáticas, a insulina. No Diabetes tipo1, a hiperglicemia é resultado da deficiência na secreção de insulina, que progride para ausência absoluta deste hormônio. No Diabetes tipo2, a hiperglicemia ocorre tanto por resistência à ação da insulina como por deficiência na secreção deste hormônio. A insulina é um hormônio anabólico que está envolvido no metabolismo dos carboidratos, proteínas e lipídeos.

De acordo Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o primeiro documento encontrado no Egito, que registrava a existência de uma doença que se caracterizava por emissão frequente e abundante de urina, sugerindo até tratamentos com frutos e plantas, tenha sido escrito em 1500 A.C, porém foi a apenas no século II D.C, na Grécia Antiga, que essa enfermidade teve o nome de diabetes. Até o início do século XX, acreditava-se que os diabéticos precisavam comer mais, para compensar as perdas energéticas, nos anos posteriores foi vagarosamente sendo desmistificado, chegando até a descoberta da insulina em 1919 e usada pela primeira vez em 1922, como parte do tratamento do diabetes.

foto: Divulgação

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O diabetes é uma doença crônica, se não tratada pode causar insuficiência renal, amputação de membros, cegueira, doenças cardiovasculares, como AVE (derrame), e infarto, por exemplo.

 
Você sabia que 14,3 milhões de brasileiros são acometidos pelo diabetes? – Segundo o Atlas do Diabetes de 2015 feito pelo IDF (International Diabetes Federacion), essa tendência vem crescendo, até essa última edição do Atlas, a cada 11 pessoas 1 é diabética, 12% dos gastos globais com a saúde estão ligados a diabetes. Esses dados só confirmam a configuração de um problema de saúde pública.

O estado Nutricional afeta tanto o desenvolvimento da doença quanto a evolução. O sobrepeso e a obesidade são fatores de risco para o desenvolvimento do Diabetes tipo2. Em pacientes com sobrepeso e resistência à insulina, a perda de peso está recomendada, porque leva à redução da resistência à insulina. Perda de peso, mudança de estilo de vida, como a prática de atividade física regular, e mudanças dietéticas, com redução energética e do consumo de gorduras saturadas, podem reduzir a prevalência de Diabetes tipo2, – Se necessária, terapia medicamentosa deve ser utilizada. A intervenção dietética associada à prática de atividade física regular pode levar à redução da incidência de Diabetes entre 58% a 91%; Dados das diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes.

 
A incapacidade do organismo de utilizar a glicose como fonte energética preferencial, por ausência da insulina, leva a catabolismo orgânico intenso, com quebra de proteínas e de gorduras para utilização como fonte energética. Esta alteração metabólica cursa frequentemente com perda de peso e comprometimento do estado nutricional e, podem culminar em quadro de hiperglicemia grave, Cetose e coma.

 
A ciência tem evidenciado que a terapia nutricional é fundamental na prevenção, tratamento e gerenciamento do diabetes mellitus (DM). A terapia nutricional em diabetes tem como alvo o bom estado nutricional, saúde fisiológica e qualidade de vida do indivíduo, bem como prevenir e tratar complicações a curto e em longo prazo e comorbidades associadas.

Tem sido bem documentado que o acompanhamento nutricional, realizado por especialista favorece o controle glicêmico promovendo redução de 1% a 2% nos níveis de hemoglobina glicada (exame realizado para observar o controle da doença), independentemente do tipo de diabetes. Embora o aparecimento do diabetes tipo1, não seja evitável, o diabetes tipo2, pode ser retardado ou prevenido, por meio de modificações de estilo de vida, que incluem dieta e atividade física.

 
Indivíduos em risco de desenvolver Diabetes Mellitus – tipo2, devem ser estimulados a mudanças de estilo de vida, a partir de programas educativos baseados em perda moderada de peso corporal e prática semanal de atividade física (150 minutos/semana). As estratégias nutricionais incluem redução energética e de gorduras, ingestão de 14 g fibras/1.000 kcal, mediante oferta de grãos integrais, leguminosas, hortaliças e frutas e limitar a ingestão de bebidas açucaradas. O carboidrato, por exemplo, embora seja um importante preditor da glicemia pós-prandial, os alimentos que contêm esse nutriente são também fontes importantes de energia, fibra, vitaminas, minerais, contribuindo ainda com a palatabilidade da dieta. Alguns estudos evidenciam que adequadas concentrações de carboidratos melhoram a sensibilidade à ação da insulina, e a OMS não recomenda concentrações inferiores a 130 g/dia, desse macronutriente.

 
Quantificar a prevalência atual de Diabetes e estimar o número de pessoas com diabetes no futuro é importante, pois permite planejar e alocar recursos de forma racional. No entanto mais importante do que planejar é executar, não bastam só campanhas, ou medicamentos gratuitos, essas fazem parte do processo, mas são necessárias providências ainda mais severas, como fechar brechas na legislação da rotulagem de alimentos no país, é educar a população e tantas outras estratégias. Contudo as pessoas podem começar se exercitando, diminuindo o tabagismo e o alcoolismo, que esses já são sabidos de todos que são prejudiciais à saúde, dessa forma já podem minimizar a ocorrência dessas, ou outras doenças.

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